Cine Clube promove debate com alunos do serviço de convivência - Facer
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    26/06/2018 às 19:54

    Cine Clube de Rubiataba tem ampla participação da comunidade

    No dia 19 de junho, foi realizada mais uma edição do Cine Clube da Faculdade Evangélica de Rubiataba, com a exibição do filme Extraordinário (Wonder, Stephen Chbosky, 2017). Destaque para a participação dos alunos do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos Núcleo I, responsável pela execução de programas e projetos voltados à população de crianças e adolescentes carentes de Rubiataba.

    O debate sobre o filme foi mediado pelo professor Marcelo da Luz Batalha, docente da instituição. Extraordinário é baseado no best-seller homônimo do escritor R.J. Palacio, de 2012. O filme conta a história de Auggie (Jacob Tremblay), um menino que nasceu com uma deformidade facial devido a um raro gene que ambos os seus pais possuem. Acreditando que é hora de seu filho aprender a enfrentar a realidade e as outras pessoas, seu pai, interpretado por Owen Wilson convence sua mãe, interpretada por Julia Roberts, de que Auggie precisa ingressar numa escola convencional. O maior conflito do enredo fica então claro: Auggie precisa lidar com o bullying de muitos jovens da escola.

    O filme é delicado e ideal para tratar do tema do bullying, comovendo crianças e adultos. O bullying, fenômeno presente há tempos nas escolas, hoje tem visibilidade e movimenta o debate público tanto pela preocupação por parte da academia quanto pelos casos recorrentes noticiados e potencializados, principalmente, pelo uso das redes sociais e da Internet pelos jovens. O filme não trata do que se convencionou chamar de cyberbullying, mas de perseguições convencionais no dia a dia das escolas: a exclusão das atividades esportivas, dos trabalhos em grupos e dos passeios escolares. A Internet, ao contrário, é apresentada no filme como uma ferramenta ou canal de aproximação entre Auggie e seu melhor amigo.

    O filme retrata também a importância da família. Durante todo o enredo, Auggie conta com a presença e o apoio de seus pais que, ainda que com uma bagagem de sofrimento – a sua mãe tem que abdicar parte da sua vida profissional – mostram-se otimistas, enfrentando todas as barreiras juntos. A história ainda mostra o lado da adolescente Via (Izabela Vidovic), irmã mais velha de Auggie, que vive o dilema de lidar com as transformações da adolescência, o distanciamento da melhor amiga, o primeiro namorado e o sentimento de ter sido sempre um pouco esquecida por causa das necessidades do irmão, ao mesmo tempo que mantém e nutre todo o amor que sente por ele.

    Para o professor Me. Marcelo da Luz Batalha, o protagonista do filme é uma criança com habilidades físicas e intelectuais normais, como qualquer outra criança, e apresenta apenas uma deformação no seu rosto, sendo esta a causa de todo o preconceito e perseguição contra Auggie. Essa perseguição e exclusão por causa da sua deformidade é o que alimenta o estigma, trabalhado pelo sociólogo norte-americano Erving Goffman, referência na corrente interacionista simbólica, da Escola de Chicago. Segundo o professor, o trabalho de Goffman sobre o estigma é uma teoria sobre a identidade social e o reconhecimento individual e coletivo a partir de aspectos físicos aparentes, que incluem ou excluem indivíduos ou grupos sociais em uma sociedade. Segundo o autor, os gregos tinham bastante conhecimento de recursos visuais e criaram o termo estigma para de referirem a aspectos corporais que evidenciavam algo extraordinário ou mau sobre o status de quem os apresentava.

    Alguns sinais eram feitos com cortes ou fogo no corpo e avisam que o portador era um escravo, um criminoso, traidor ou portador de alguma doença que deveria ser evitada. Já na era Cristã, os sinais corporais podiam ser interpretados como uma graça ou condenação divina. Mas nos dias atuais, segundo o professor, o termo estigma e a sua aplicação está mais para o sentido original, aplicado à negação do indivíduo ou grupo portador da deformação ou aspecto condenatório, levando à exclusão e violência.

    O professor Marcelo destaca ainda, na sua análise do filme e da realidade, que a escola pode ter um papel fundamental na ruptura das desigualdades, preconceitos e violências. Segundo o professor, Pierre Bourdieu, sociólogo francês contemporâneo, afirma que a escola é uma instituição de reprodução de estruturas sociais e das desigualdades, tanto econômicas quanto culturais, em vez de uma instituição de transformações, como se espera. Segundo o sociólogo francês, a escola transmite heranças culturais para as crianças, ou seja, é nas escolas aonde as crianças aprendem e reforçam os habitus culturais que perpetuam várias das formas de desigualdades na nossa sociedade. E qual seria, então, o papel da escola na ruptura das desigualdades e preconceitos?

    Segundo o professor Marcelo, utilizando-se de outro clássico da Sociologia, Émile Durkheim, a escola e, consequentemente, a educação, tem o papel fundamental de suscitar e desenvolver nas crianças, através das gerações adultas um certo número de estados físicos, intelectuais e morais saudáveis e exigidos pela sociedade, mesmo que seja preciso contrariar valores morais familiares e particulares. É o que faz o diretor da escola, que intervém diretamente na inclusão de Auggie, promovendo a aproximação entre os colegas e o estudante, age coercitivamente contra os que perseguem Auggie, indo contra a família abastada de um aluno que se mostra defensora do tratamento diferencial e até da exclusão de Auggie da comunidade escolar. Em Extraordinário fica, portanto, explícito o papel ativo da escola no combate a toda e qualquer forma de discriminação, preconceito e violência.

    Após a exibição e o debate foi realizado um lanche coletivo para os alunos e professores do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos Núcleo I, junto dos professores e diretor da Faculdade Evangélica de Rubiataba.